A língua é viva e põe em diálogo o texto escrito e o som enunciado – que, às vezes, não combinam
“Ah, eu amava a boca dela.” A intenção era um elogio, mas o som aproximou a mulher admirada do feminino de cachorro. Cadela é termo forte, um quase palavrão. Minha mãe não a pronunciava e preferia cachorra para a fêmea do cão. Tornar insulto cadela ou vaca, e não touro ou cachorro, é sinal de misoginia, claro. Hoje, vou me prender aos fonemas e não aos preconceitos.As sílabas…
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